quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Timidez e Inibição

Apesar de não existirem certezas quanto ao peso genético, calcula-se que o temperamento tem uma forte componente inata que nos predispõe a desenvolver determinadas características de personalidade. Desde muito cedo que se verificam diferenças entre bebés quanto à forma como se comportam no quotidiano e como reagem na presença de outras pessoas, podendo estes demonstrar-se mais recatados ou extrovertidos. No entanto, estes indicadores precoces do temperamento não são deterministas quando ao comportamento futuro, pelo que há uma série de factores e vivências que acabam por estruturar as manifestações emocionais de cada um de nós. Sabe-se que um adulto tímido muito provavelmente foi uma criança tímida mas nem sempre uma criança mais introvertida se torna num adulto tímido. O maior ou menor isolamento desde cedo, o tipo e qualidade das convivências sociais, a personalidade e atitude dos pais e as circunstâncias de vida, acabam por ter uma enorme relevância na percepção que a criança desenvolve de si própria e consequentemente na conduta social que apresenta ao longo dos anos.
Na infância e também na adolescência devem ser evitados ao máximo os rótulos e as comparações, pois são estes que mais contribuem para que a criança sinta que tem algo de errado e acabe por ter comportamentos futuros que vão ao encontro da confirmação de que é diferente. Não é um problema sermos diferentes, mesmo porque ninguém é igual, mas pode tornar-se um problema sentirmo-nos diferentes.

É preciso dizer que a timidez não é uma patologia e, não sendo uma patologia, não necessita de tratamento nem tem de ser modificada. Existem muitas pessoas tímidas que se encontram realizadas e com qualidade de vida e a extroversão não é sinónimo de felicidade. Porém, é frequente que este traço cause algum prejuízo na vida da pessoa, impedindo-a de alcançar objectivos pessoais e é nesse sentido que esta pode sentir necessidade de procurar ajuda. Eventuais consequências negativas como o evitamento na interacção social por algum receio de avaliação negativa no exterior, o sentimento de desadequação ou inferioridade face aos outros e a dificuldade em expressar emoções podem, assim, comprometer o sentimento de realização pessoal. Quando a timidez está presente de uma forma muito intensa, também pode levar a fobias sociais ou outro tipo perturbações que diminuem a qualidade de vida.

Se a pessoa assim o desejar, é possível atenuar estas consequências através do reforço positivo, da mudança de padrões de comportamento, da alteração da percepção que tem de si mesma e da exposição progressiva a situações sociais consideradas ameaçadoras, de forma a que o nível de confiança e segurança interiores possam aumentar. Para isso, os sentimentos de aceitação e valorização pessoal são fundamentais mas todos sabemos que estes também dependem da reacção de quem nos rodeia, pelo que estão interligados e necessitam de ser trabalhados em conjunto, preferencialmente com o apoio de um psicólogo.
Porém, nesse processo, a pessoa tímida não se deve forçar a participar de contextos com os quais não se identifica nem tão pouco de adquirir comportamentos que não a reflectem. A timidez não é uma escolha, pelo que é fundamental que os seus gostos e preferências sejam respeitados para que não corra o risco de passar a vida a tentar corresponder a uma imagem que não é a sua e que reforça a ideia errada de que o seu interior é inaceitável.

terça-feira, 3 de Junho de 2014

Consulta de Psicologia a Adultos

Estas são algumas das áreas de intervenção com adultos:





  • Ansiedade e Stresse 
  • Fobias e Medos
  • Crises de Pânico
  • Depressão, Tristeza, apatia
  • Problemas relacionados com Sexualidade
  • Obsessões e Compulsões
  • Luto e perda
  • Separação/Divórcio
  • Instabilidade emocional
  • Problemas relacionais e amorosos
  • Problemas comportamentais
  • Perturbações do sono
  • Perturbações Mentais
  • Situações de crise (pessoal, familiar, profissional)
  • Desenvolvimento pessoal e Auto-conhecimento
  • Perturbações alimentares
  • Comportamentos Aditivos (álcool, substâncias, jogo)
  • Co-dependência/ dependência emocional/ dependência amorosa 
  • Dor/ Doença Crónica
  • Aspectos psicológicos do Emagrecimento e Nutrição
  • Estética, Auto-imagem e Relação com a corpo
  • sexta-feira, 30 de Maio de 2014

    Olhar o passado para resolver o presente

    Em psicoterapia faz parte do processo conhecer e compreender o passado de quem nos procura. Por vezes há quem tenha algumas resistências em falar de vivências e experiências que aparentemente parecem ser banais ou desprovidas de qualquer interesse relevante para o que pretendem esclarecer ou alterar. Há a ideia de que só os acontecimentos muito traumáticos do passado é que poderiam explicar problemas no presente. Acontece que não são só os traumas identificáveis e conscientes que deixam heranças pesadas nas nossas emoções. São muitas as variáveis que contribuem para explicar aquilo que somos e que por norma, não só têm origem em fases muito precoces da nossa existência, como correspondem a um padrão inconsciente, do qual nem nos apercebemos, que se relaciona com a forma como vemos e sentimos o mundo. É por isso que achamos que o nosso passado não tem importância quando não há nada que se destaque, mas ao reflectirmos sobre ele acabamos por encaixar a pouco e pouco as peças do puzzle da nossa vida.

    Ao contrário de uma verdadeira psicoterapia, se o objectivo passa por um aconselhamento psicológico muito específico e objectivo, nem sempre é necessário fazer a ponte com a personalidade da pessoa em questão. Contudo, mesmo nesta situação, pode acontecer que cheguemos a conclusões que se relacionam com o nosso funcionamento interno. Apesar do sofrimento poder ter origem em alguma circunstância de vida, é preciso perceber de que forma os nossos mecanismos psicológicos estão a prejudicar-nos ou, pelo contrário, a ajudar-nos. Todos temos estratégias diferentes para gerir dificuldades e o impacto de algo que esteja a ser difícil de suportar também varia de pessoa para pessoa, assim como varia com a etapa da vida que estamos a atravessar. É por isso que a dor não se mede e tem sempre o seu valor.
    Esta necessidade de olhar para o passado não é no sentido de apontar, julgar ou criticar aquilo que foi o nosso percurso. E se a pessoa em questão não quiser falar de determinados assuntos que possam ser sugeridos, tem todo o direito de se resguardar até quando se sentir preparada ou deixando de lado o que prefere que não seja colocado em voz alta.
    Compreender para resolver é o único propósito de voltar atrás no tempo. Mesmo porque quando conseguimos vislumbrar aquilo que fomos no passado, estamos muito mais perto de nos encontrarmos no presente.

    quarta-feira, 21 de Maio de 2014

    Depressão na Gravidez (Pré-Parto)

    Questionário retirado daqui
    Imagem retirada daqui
    A chegada de um bebé é quase sempre motivo de comemoração e alegria. Quando é muito desejado, o dia da confirmação da gravidez torna-se muito especial por marcar o início de uma etapa muito esperada e, mesmo em casos em que a gravidez é uma completa surpresa e o bebé não tinha sido planeado, são muitos os que ficam entusiasmados com a nova ideia de se tornarem pais.
    Porém, há contextos e processos que não correm da melhor forma e que acabam por definir uma gravidez conturbada, difícil e que pode inclusive resvalar para uma depressão pré-parto. É mais comum falar-se na depressão pós-parto, pelo que a instalação deste quadro psicológico durante a gravidez acaba por ser mais ignorado. Assim, importa lembrar que o número de grávidas atingidas por esta doença ronda os 15 a 20%, o que significa que precisamos de estar atentos às causas, sintomas e tratamentos. Sabemos ainda que a probabilidade de uma mulher vir a ter uma depressão pós-parto é maior quando o problema começa a ser evidente ainda antes do bebé nascer, pelo que intervir o mais precocemente possível diminui as possíveis consequências tanto para a mãe como para o bebé.

    É do conhecimento comum que as alterações hormonais são responsáveis por muitas das oscilações do estado de humor na gestação. Por outro lado, a carga simbólica associada à maternidade e o impacto emocional de gerar e criar um filho, é por si só suficiente para que um turbilhão de emoções se revelem à flor da pele.
    Algumas mulheres referem sentir uma felicidade imensa durante toda a gravidez mas, em geral, o primeiro e último trimestre são mais propícios a uma maior sensibilidade. Isto significa que sentimentos de tristeza, preocupação, dúvidas ou desânimo não são à partida motivo de alerta e fazem parte de uma gravidez saudável.

    O que distingue estas oscilações de humor de uma depressão pré-parto, ou com um quadro que indique que esta pode acontecer, é a intensidade e duração destes sintomas. Se uma grávida está permanentemente abatida, desesperançada, com pensamentos negativos, com vontade de chorar, sem qualquer energia, com uma sensação de falha constante ou até ideias suicidas, estamos perante um diagnóstico. Não é necessário a grávida apresentar todos estes sintomas para que esteja em depressão mas são exemplos que ajudam a diferenciar de outros sentimentos transitórios e normais.
    As causas de uma depressão pré-parto podem ser as mais variadas, de acordo com o historial de vida da pessoa, assim como das circunstâncias e contexto em que se encontra. As transformações corporais, os relacionamentos afectivos (em particular a relação com o pai do bebé), o suporte familiar, as complicações físicas que podem surgir durante a gravidez, a saúde do feto, os sentimentos contraditórios em relação ao futuro bebé ou até uma vulnerabilidade pré-existente para a depressão são algumas das circunstâncias que podem despoletar o problema.
    Na imagem acima, um pequeno questionário permite dar uma ideia se estamos ou não perante a possibilidade de risco, mas importa frisar que apenas um profissional qualificado poderá fazer o diagnóstico com precisão. O apoio psicológico permite melhoras significativas em grande parte das gestantes e só em alguns casos mais graves poderá ser necessário medicação.

    Um dos factores de manutenção da depressão e que a agrava substancialmente é o sentimento de culpa e de fracasso que a futura mãe enfrenta. Aliás, este sentimento faz inclusive parte da depressão e acaba por gerar um ciclo vicioso em que a mulher, por não percepcionar que não é responsável pelo seu estado de saúde, acaba por negar os sintomas, prolongado-os e intensificando-os. Nesse sentido, o apoio da família a amigos é crucial para que esta aceite que a prioridade é tratar de si e consequentemente do bebé. É socialmente esperado que uma grávida esteja feliz e é com vergonha que muitas pré-mamãs encaram o estado de espírito em que se encontram. O primeiro passo parte pelo resgatar do amor próprio e, assim, não sentir que procurar ajuda é um fracasso.

    Ana Rita Dias - Psicóloga Clínica e do Aconselhamento.

    segunda-feira, 5 de Maio de 2014

    Relações amorosas através dos sites de encontros

    No âmbito de uma entrevista ao Jornal de Notícias, falou-se de encontros amorosos virtuais. Leia neste artigo os assuntos que estiveram na base da mesma.

    Pelos vistos, Portugal é um bom mercado para os sites 
    de encontros. Andarão os portugueses assim tão sozinhos?
    Dar e receber afecto é uma necessidade universal, pelo que a procura de alguém para estabelecer algum tipo de ligação mais próxima, tanto acontece em Portugal como noutro país qualquer. O que acontece é que, com a proliferação das novas tecnologias, os sites de encontros acabam por constituir uma alternativa mais fácil na possibilidade de se iniciar algum contacto. Para além disto, no que toca à solidão, vivemos numa sociedade que se tem tornado mais individualista e que promove a gratificação imediata, com tudo o que de bom e mau que isso acarreta. Se por um lado temos mais opções, menos barreiras e nos é permitido ser mais exigentes na busca de um(a) parceiro(a) que nos desperte interesse, por outro esta ideia de termos o direito de procurar sempre “mais” e “melhor” pode conduzir precisamente a uma insatisfação continuada. 

    Existem, inclusive, os que funcionam regionalmente, com dimensão local. Que explicação poderá haver para tal facto?
    À partida, salvo excepções, quando alguém procura conhecer outra pessoa através de um site de encontros, é com o objectivo final de se encontrarem presencialmente. Os sites de encontros podem ter muita adesão na procura de potenciais parceiros(as) mas é no contacto real que procuramos prolongar e reforçar ligações. Por isso é natural que a localização seja um factor preferencial.

    É sempre mais fácil contactar sem estar presente fisicamente?
    Em vários aspectos torna-se mais fácil, começando logo pela abordagem. Quem está num site de encontros desfaz logo o receio de não existirem objectivos semelhantes. Depois, também causa menos impacto uma possível rejeição. Se aquele utilizador não corresponde, tenta-se outro e assim sucessivamente. Quando a conversa já está estabelecida, e especialmente se for por escrito, há também menos inseguranças e constrangimentos em darmo-nos a conhecer e um maior controlo sobre todas as variáveis que existem presencialmente e que por vezes levam a uma maior inibição.
    Não se pode, no entanto, dizer que seja sempre mais fácil. Há quem sinta que o contexto virtual é forçado, repetitivo ou até enfadonho, o que pode prejudicar o entusiasmo. Em contexto real temos mais acesso a uma série de sensações que flúem mais naturalmente e de forma menos previsível. Podem também surgir interpretações erradas com frequência, por não termos acesso à linguagem não verbal que é tão ou mais importante. No fundo, tem vantagens e desvantagens, pelo que o melhor é tirar partido do que for surgindo, virtual ou não, sem racionalizar demasiado.

    Que alertas quer deixar a estas pessoas que preferem recorrer a sites de encontros?
    Em primeiro lugar que não se torne uma preferência mas sim uma alternativa como qualquer outra e que esteja a par de vivências igualmente potenciadoras de convivência. Tanto se cai num extremo de achar que conhecer alguém pela Internet é algo de muito negativo como no outro de passar a ser uma forma exclusiva de conhecer pessoas. Há também a ideia de que apenas os “falhados” e “desinteressantes” é que recorrem a este tipo de sites o que, pela minha experiência profissional, não é totalmente verdade. Conheço várias pessoas equilibradas, com bom senso e bem sucedidas a vários níveis, mas que por algum motivo não se sentem satisfeitas a nível amoroso e acabam por querer ter a possibilidade de alargar o leque de interacções. Se a Internet facilitar isso, porque não? Agora, como é óbvio, há de tudo em todo o lado e há até quem utilize estes sites de encontros para fins distintos daqueles que outros procuram. Assim, é importante que as expectativas sejam doseadas de forma realista, tal como seriam numa abordagem presencial, sem se esperar imediatamente encontrar uma “cara-metade”.

    Caso a ligação comece a ficar mais intensa e frequente, também é bom que não se prolongue demasiado tempo nesse formato. Um encontro num lugar público, seguro e descomprometido pode ser o passo seguinte caso haja interesse de ambas as partes. Isto porque é mais fácil esconder reais intenções através do ecrã, evitando-se um maior envolvimento emocional com quem não sabemos estar do outro lado e que pode revelar-se um engano. Para além disso, a imaginação consegue ser mais poderosa do que a realidade e pela Internet é mais fácil depositar no outro os nossos ideais, desejos e projecções, levando mais facilmente à desilusão.

    segunda-feira, 14 de Abril de 2014

    Infidelidade no casal: A traição no namoro ou casamento

    Uma das problemáticas que atendo com frequência é a da infidelidade, seja em consulta com casais ou consultas individuais. E normalmente surgem muitas perguntas e dúvidas. Onde se traça a linha entre o que é ou não uma traição? Uma pessoa que já traiu é alguém que vai trair novamente? É ou não possível uma relação sobreviver a esse acontecimento?

    Em primeiro lugar, é preciso definir a infidelidade. É perfeitamente natural, e até saudável, que os elementos de um casal tenham pensamentos ou até fantasias com terceiros, tanto nos homens como nas mulheres.
    Se essas fantasias forem muito recorrentes e intensas, de forma a ocuparem grande parte do tempo da pessoa, não se pode considerar uma traição, mas poderá ser necessário reflectir sobre o que possa estar na origem do que parece ser uma insatisfação permanente. Ainda assim, uma das coisas que costumo dizer é "no pensamento tudo pode acontecer", sem que isso signifique falta de amor pelo outro e muito menos uma vontade concreta de passar ao acto. Contudo, também não é só no contacto físico que a traição existe. Há situações de flirt (principalmente quando este é constante e repetitivo) que, mesmo que não tenham desenvolvimento, constituem uma infidelidade, na medida em que o respeito pelo(a) parceiro(a) está a ser claramente comprometido.

    Depois também se pode considerar que existem infidelidades "mais ou menos graves", que se distinguem pelo grau de premeditação, pelo número de vezes em que se repetiu, ou por ser com uma ou várias pessoas diferentes. Em qualquer dos casos, uma traição "menos grave" pode ser legitimamente imperdoável para o(a) parceiro(a).
    Uma traição que "não significou nada" também não deixa de ser uma traição. É verdade que o envolvimento emocional com um terceiro pode ser muito mais devastador do que um relação puramente física, mas para quem é alvo de um desgosto amoroso, o sofrimento é igualmente grande.
    Aliás, uma infidelidade, é por norma uma ferida difícil de suportar, que gera sentimentos de revolta, angústia, decepção, vergonha e acima de tudo, um abalo na confiança pelo(a) parceiro(a) que é um dos principais pilares de uma relação.

    Quanto à questão "infiel uma vez, infiel sempre", também não é linear. Perdoar traições que se vão repetindo e descobrindo sucessivamente ao longo de uma relação, diz tanto do traidor como do traído, pelo que é necessário intervir junto da pessoa no sentido de reforçar o seu amor próprio e de a ajudar a não permanecer num funcionamento autodestrutivo. Por outro lado, também há "traidores compulsivos" que pedem ajuda profissional, por não compreenderem qual o motivo de sentirem que amam o(a) parceiro(a) mas mesmo assim terem uma necessidade constante de seduzir. Nestes casos, não é incomum que uma fragilidade no amor próprio também esteja na origem e que, portanto, a única forma da pessoa se sentir valorizada é com a constante confirmação de quem é desejada por outros.
    E por fim, claro que também há os que não sentem qualquer culpabilidade e acham que não estão a fazer nada de errado, o que se poderia denominar de "infiéis crónicos".
    Agora, o facto de alguém já ter traído, não significa que o vá fazer novamente.

    Posto isto, podemos passar ao úlitmo ponto que referi: é ou não possível uma relação sobreviver a uma traição? A resposta é: depende. Sim, nuns casos é possível e noutros não. O contexto, as circunstâncias, a personalidade de cada um e principalmente os sentimentos que se geram, acabam por determinar a conclusão.
    Os estudos indicam que há vários factores que podem estar na base de se ultrapassar uma infidelidade, como por exemplo a durabilidade da relação. Quanto mais longa for a relação, maior a probabilidade da situação ser superada. Mas há muitos outros factores que, conjugados, ajudam a encontrar uma resposta. O que posso adiantar é que conheço casais em que a infidelidade abalou de forma irreversível a relação e, outros, em que essa crise conjugal acabou por ser ultrapassada, a confiança restabeleceu-se e permanecem felizes. Isto significa que não existem verdades absolutas nem formas certas ou erradas de lidar com este tema. Cada caso é um caso, cada pessoa é única, cada relação tem uma dinâmica própria.

    Quando as pessoas desabafam com os de fora (amigos íntimos ou familiares), têm de imediato acesso uma série de opiniões acerca do assunto e sobre o que deveriam ou não fazer. Mas é preciso frisar que, por melhor que seja a intenção em ajudar, muitas vezes as respostas são baseadas em reacções emocionais pela relação de amizade ou em visões generalizadas que vão ao encontro das suas próprias experiências de vida. Um profissional pode ajudar a que, de uma forma isenta, a pessoa ou o casal encontrem o caminho a seguir.

    sexta-feira, 11 de Abril de 2014

    Consulta de Psicologia a Crianças

    As áreas de intervenção na consulta de psicologia infantil são as seguintes:

    • Problemas emocionais
    • Problemas no controlo dos esfíncteres (enurese, encoprese)
    • Agressividade infantil
    • Problemas de comportamento
    • Dificuldades relacionais
    • Perturbações da linguagem
    • Mentiras e furtos na infância
    • Divórcio/separação dos pais
    • Nascimento de irmãos/ciúmes
    • Medos, fobias e ansiedade infantil
    • Problemas com a alimentação
    • Problemas com o sono
    • Depressão e/ou ansiedade infantil
    • Problemas de integração e adaptação  (infantário, escola...)
    • Dificuldades de aprendizagem

    Consulta de Psicologia a Adolescentes

    Estas são algumas das áreas de intervenção na adolescência:


  • Orientação escolar e profissional 
  • Problemas de comportamento
  • Comportamentos de risco
  • Medos, fobias, ansiedade
  • Tristeza, apatia, depressão 
  • Conflitos familiares
  • Dificuldades escolares
  • Angústias em relações amorosas
  • Problemas do comportamento alimentar (Bulimia, Anorexia, obesidade)
  • Problemas de sexualidade e/ou identidade sexual
  • Problemas de integração social/escolar
  • Problemas de imagem corporal/ Baixa auto-estima

  • quinta-feira, 10 de Abril de 2014

    Contactos e Localização

    O consultório está situado no coração de Lisboa, em frente a uma das saídas da estação de metro da "Baixa-Chiado", nas traseiras dos "Armazéns do Chiado".
    As consultas realizam-se de Segunda a Sábado entre as 10h30 e as 21h.

    - Morada: Rua Áurea, 200 2ºdto 1100-064 Lisboa (conhecida por Rua do Ouro).

    - Telefone para agendamento de consulta ou esclarecimentos: 914675354

    - Email para pedidos de informações ou marcações: psi.ritadias@gmail.com

    Serviços prestados

    Este consultório presta serviços distintos, de acordo com as necessidades de cada pessoa. Para saber mais acerca de cada um deles, basta clicar naquele que pretende.

    - Apoio e aconselhamento psicológico

    - Acompanhamento psicoterapêutico

    - Aconselhamento Parental

    - Aconselhamento conjugal

    - Aconselhamento na sexualidade

    - Apoio na (In)Fertilidade, Gravidez e Maternidade

    - Avaliação psicológica e de diagnóstico

    - Orientação escolar e profissional do 9º ao 12ºano

    - Consultas presenciais em Lisboa

    - Consultas Online

    quarta-feira, 9 de Abril de 2014

    Formação e experiência profissional

    Formação em Psicologia Clínica e do Aconselhamento e Pós- Graduação em Medicina Sexual. Cédula profissional nº869 da Ordem dos Psicólogos e certificada pela Entidade Reguladora da Saúde.
     
    A trabalhar desde 2007 em prática clínica privada, com adultos, jovens e crianças no consultório de Lisboa.
    Experiência profissional em contexto hospitalar e escolar. Avaliação psicológica e de diagnóstico, acompanhamento psicológico/psicoterapêutico e apoio ao nível da psicologia da saúde, através do Departamento de Psicologia e Psiquiatria do Hospital da Marinha em Lisboa.
    Responsável durante dois anos lectivos pelo serviço de Psicologia do Agrupamento de escolas Mães d´Água na Falagueira - Amadora, na intervenção com crianças e jovens.

    Formação complementar em:
    • Ansiedade e Depressão na clínica do adulto;
    • Abuso e dependência de substâncias;
    • Orientação Escolar e Profissional;
    • Acompanhamento Psicológico Infantil;
    • Técnicas de Relaxamento

    terça-feira, 8 de Abril de 2014

    A importância das emoções negativas


    Todos preferimos sentir emoções positivas, que nos proporcionem bem-estar e felicidade. Por norma abraçamos a alegria com facilidade mas não fazemos o mesmo com a tristeza. Os sentimentos difíceis de suportar são até muitas vezes ignorados ou negligenciados, na esperança de que passem por si só ou para que não tenhamos de nos confrontar com emoções que nos magoam e fragilizam. Com o medo de perder o controlo ou de não aguentar, reprimimos o que não queremos sentir e seguimos em frente, não nos apercebendo que aquela emoção vai ter obrigatoriamente de ser canalizada de outra forma qualquer e muitas vezes de uma forma muito mais disfuncional e desgastante.
    Sucede que a tristeza, a raiva, o medo ou qualquer outra emoção considerada negativa, tem um papel muito importante na sobrevivência psíquica de qualquer um de nós. Ajuda-nos a perceber o nosso interior e a tentar descobrir que circunstâncias da nossa vida precisam de ser alteradas, arrumadas ou simplesmente digeridas. No fundo, é também a tristeza que nos permite encontrar a felicidade.

    O objectivo não passa necessariamente por substituir uma emoção negativa por outra positiva, mas o simples facto de não a rejeitarmos, pode levar a que essa mudança ocorra. Há emoções que só se forem vividas na sua plenitude é que podem ser ultrapassadas e, portanto, também há emoções difíceis que necessitam de permanecer algum tempo para que se transformem. Contudo, por vezes, só quando estas são verdadeiramente compreendidas é que acabma por diminuir ou até mesmo desaparecer. Ao serem destapadas, tratadas e valorizadas, perdem a sua força, dando lugar ao que inicialmente preferíamos sentir. Mas para isso, precisamos de não saltar etapas e aceitar uma emoção negativa tal como aceitamos uma emoção positiva.

    quarta-feira, 26 de Março de 2014

    Relacionamento com homem mais novo

    1 – O que pode levar uma mulher a interessar-se por um homem mais novo?
    Uma mulher pode interessar-se por um homem mais novo pelo mesmo motivo que poderá interessar-se por um mais velho ou da sua faixa etária, ou seja, pela pessoa em si e não pelo facto de ter determinada idade. Contudo, como por heranças sociais ainda temos tendência a considerar que uma mulher mais velha seria desinteressante para um homem mais novo e que estes normalmente preferem mulheres mais novas ou da mesma idade, em determinadas situações uma mulher pode procurar sentir-se mais valorizada por atrair um homem mais novo.

    2 – Namorar um homem jovem pode significar, para a mulher, uma lufada de ar fresco? Em que sentido?
    Algumas mulheres descrevem que a relação com um homem mais novo lhes traz mais energia, pelo facto de poderem estar mais dispostos a vivenciar uma série de experiências que com o passar dos anos se podem perder, como aventura e desprendimento. Por outro lado, na maior parte das vezes trazem uma menor bagagem em termos de relacionamentos, casamentos, filhos e até de expectativas e exigências, o que à partida sugeriria uma relação mais descontraída, com menos compromissos e responsabilidades.

    3 – Pode ser uma ajuda também na questão da autoestima?
    Sim, a mulher poderá sentir que ao relacionar-se com um homem mais novo tem qualidades que se destaquem e que revelam o seu poder de sedução. Mas deve-se salientar que é algo transitório, pois é a dinâmica de uma relação gratificante que mais contribui verdadeiramente para auto-estima e não tanto características mais superficiais da mesma, como a idade, que acabam por não a sustentar a longo prazo.

    4 – E o ponto de vista do homem. O que pode fazer despertar o interesse por uma mulher mais velha?
    Pode também ser somente a mulher em si e não tanto pelo facto de ser mais velha. No entanto, há homens que têm mesmo, enquanto padrão, tendência para se relacionarem com mulheres mais velhas, não sendo tanto um interesse pontual mas uma preferência constante. Alguns referem sentir-se muito atraídos pela maturidade que revelam e pela segurança emocional que essas mulheres entretanto adquiriram com a experiência de vida.

    5 – Como pode a mulher saber se o interesse é genuíno? É normal que haja essa hesitação por parte da mulher?
    É expectável que exista alguma hesitação e insegurança, pois os papéis femininos e masculinos fazem parte de um contexto cultural que é assimilado por todos nós. Até há poucos anos a mulher era vista sobretudo no papel de procriação, sendo a idade um factor determinante para que essa função fosse cumprida. Ainda que a mulher se tenha emancipado, os estereótipos tendem a permanecer mais tempo. Por isso, é importante que a mulher tente perceber se o interesse é genuíno, da mesma forma que tentaria perceber com qualquer outro homem, ou seja, pelas acções e atitudes e não por suposições baseadas na idade. Isto porque nesta circunstância, o preconceito associado a inseguranças leva facilmente a uma hesitação que se prolonga e que pode acabar por minar a relação, não tanto pela idade em si, mas pela forma como esta é encarada.

    6 – Com base na sua experiência profissional, e do ponto de vista da mulher, sente que esta nutre uma expetativa a longo prazo ou quer apenas algo passageiro e porquê?
    Ambas as situações acontecem, depende da mulher e do momento de vida em que esta se encontre. Mas na minha experiência profissional, encontrei mais mulheres com expectativas a longo prazo e que inclusivamente procuravam ajuda por esse motivo. É comum não saberem lidar com algumas das consequências de assumirem um compromisso com um homem mais novo, tanto na própria relação como com "os de fora" (família, amigos, conhecidos). É possível que as mulheres que pretendem apenas algo passageiro, não necessitem deste tipo de apoio quando vivenciam essa relação, por não interferir significativamente com a sua vida e portanto seja menos frequente contactar com as mesmas.
    Ainda assim, penso que em geral as mulheres continuam a procurar com mais frequência relações duradouras.

    7 – Para a mulher, é fácil lidar com o estigma social ou já não existe esse tipo de preconceito?
    Ainda existe, é inegável que um homem com uma mulher mais nova não causa tanto estigma como uma mulher com um homem mais novo. Mas é também evidente que vai sendo claramente menor do que há uns anos atrás, o que permite que haja cada vez mais mulheres a saber lidar com o preconceito e a fazer uso da sua liberdade. Depois também depende da personalidade de cada mulher e do quanto se deixa ou não afectar pelo que os outros pensam e pela imagem que sente que está a passar aos que a rodeiam.

    8 – Quais as principais vantagens práticas de manter um relacionamento com um homem mais novo? E desvantagens?
    Resumidamente, as vantagens podem passar pelo reviver de um amor mais jovial nos comportamentos típicos dessa faixa etária, por uma sexualidade mais entusiasta, ou pela convivência mais leve com alguém que não tem um grande histórico de paixões e decepções. As desvantagens podem ser o outro lado da moeda das vantagens, como o facto da mulher sentir que já não se identifica muito com experiências que pessoas mais jovens dão prioridade (como por exemplo fazer muitas noitadas), poder haver uma maior inexperiência sexual e também uma maior imaturidade. Claro que tudo isto é generalista é há sempre várias excpeções, como homens mais novos e que revelam muita maturidade, assim como mulheres mais velhas com comportamentos imaturos.

    9 – Pensa que este tipo de relações costuma ter sucesso a longo prazo. Qual a justificação?
    Não tenho conhecimento de estatísticas que demonstrem a percentagem de sucesso nestas relações... O que posso dizer é que conheço casos de sucesso, assim como casos de insucesso. O que me parece é que quanto maior é a diferença de idades (pois é muito diferente namorar um homem 10 anos mais novo de um 20 ou 30 anos mais novo), mais dificuldades o casal atravessa e mais pontos de contacto necessitam de encontrar para que a relação funcione. Mesmo que as pessoas se despojem por completo de questões externas e se foquem somente no que a relação lhes traz, é natural que a idade possa em algum momento constituir uma barreira. E neste sentido verifico que muitas vezes a idade não constituí um problema nos primeiros anos, mas passa a tornar-se nos anos seguintes, ou seja, não é só o número de anos a mais ou a menos, mas a idade das pessoas naquele momento.
    Ainda assim, todas as relações correm risco de insucesso ou possibilidade de sucesso, basta para isso existirem, pelo que quando as pessoas estão felizes não faz muito sentido basearem-se nos "ses".

    10 – Sente que é um fenómeno cada vez mais recorrente? Se sim, por que motivo?
    Sim, a evolução da sociedade leva inevitavelmente a que seja mais recorrente. Tudo o que ganha mais aceitação, ganha também mais visibilidade. O facto das mulheres serem hoje em dia mais independentes financeira e emocionalmente e de terem um papel mais igualitário em relaçao ao homem, permitiu certamente que as opçoes e escolhas no que toca à vida amorosa se tornassem mais alargadas e diversificadas.

    11 – Do ponto de vista feminino, o que se pode fazer para que esse sucesso exista?
    Para que o sucesso exista é importante que as mulheres ganhem consciência de quais as dificuldades que possam estar a surgir, por forma a poderem resolvê-las em conjunto com o parceiro e, algumas vezes, resolvê-las internamente quando estão relacionadas com determinadas fragilidades individuais no que concerne à auto-estima. Se existirem ambivalências e a mulher não estiver verdadeiramente à vontade no assumir da relação, pode inconscientemente começar a boicotá-la. Sem essa reflexão, é mais fácil que a relação entre numa espiral em que o factor idade começe a tornar-se um bode expiatório. Os problemas que poderiam ser de qualquer relação, passam a ter como justificação costante a diferença de idades, por ser algo mais palpável e visivel.
    Ter como base viver o presente e não ter medo de ser feliz será um bom ponto de partida para não sofrer por antecipação e aproveitar ao máximo a relação.

    (Este texto está na base da entrevista dada à revista Cosmopolitan do mês de Março de 2014).

    quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014

    VouNascer - (In)Fertilidade, Gravidez e Parentalidade


    Cecilias Candeias Babyfotografia
    Este consultório, em parceria com o VouNascer, abraça um novo projecto que tem como objectivo prestar apoio individualizado e especializado a todos os pais ou futuros pais. Temos à disposição diversos profissionais de saúde, de áreas distintas mas complementares, que se ajustarão a todas as necessidades nesta fase tão importante da vida de qualquer pai, mãe e bebé.
    Tanto o processo da própria concepção, como a gravidez e o pós-parto têm características muito específicas e que, dependendo das vivências e circunstâncias de cada um, podem levar a dúvidas, angústias, tristezas, medos e ansiedades. As expectativas criadas antes do bebé nascer, assim como as teorias educacionias mais ou menos flexíveis, podem colidir com a realidade que entretanto se impõe na prática de todo este processo.
    A parentalidade pode tornar-se a vivência mais maravilhosa deste mundo, o que não é o mesmo que ser a experiência mais fácil ou menos desafiante, pelo que as dificuldades que vão surgindo podem ser significativamente atenuadas se forem devidamente acompanhadas em tempo real.
    Prestamos apoio ao domicilio, tanto ao nível de enfermagem na área de ginecologia e obstetrícia, assim como nutrição, fisioterapia e psicologia clínica.
    Este consultório também proporcionará um desconto de 20% sobre todas as consultas de psicologia a quem nos chegue através do VouNascer.

    quinta-feira, 5 de Dezembro de 2013

    O Livro "Tia Guida". Obrigada eu, André.

    Há algum tempo tive o privilégio de receber o André no meu consultório. Foi uma das pessoas que me marcou por ser a prova viva de que aos 22 anos, a idade não é sinónimo de (i)maturidade e que as experiências de vida também não garantem aprendizagens se não as canalizarmos no sentido positivo.

    Foi com emoção que muitos meses depois de o ter visto pela última vez, recebi a sua visita na semana passada para me dizer que tinha escrito um livro, o seu primeiro livro, que teve origem na fase mais dolorosa da sua vida – percorrer o cancro com alguém que ama muito e enfrentar a perda. Falou-me que também  escreveu sobre a ajuda que constituiu para ele as sessões de psicologia que tínhamos tido e que esperava que também agora o seu livro pudesse ajudar muitas outras pessoas em situações semelhantes.

    Depois de dois dedos de conversa que souberam a pouco, aproveitei para no caminho de regresso a casa começar a ler. Não tinha dúvidas de que o livro seria bom, por conhecê-lo o suficiente para saber que o seu grau de exigência não permitira menos do que isso. Mas conforme percorria as páginas dei por mim a fazer o que apenas faço com livros que me captam a atenção de imediato. Agarrei na caneta e sublinhei uma série de frases que são demasiado fortes e iluminadas para ficarem esquecidas quando arrumamos o livro na prateleira. Frases como “o medo tem medo do riso”, ou “há quem pratique o bem para lavar a alma, há quem pratique o bem para lavar almas e há quem pratique o bem por lhe estar na alma”.

    O André não só escreveu sobre o cancro de uma forma natural, muito real e acessível como fez com que esta doença não fosse a parte mais importante do livro. Pode parecer estranho falar nestes termos. Como é que o cancro e tudo o que de terrível e difícil este arrasta pode não ser a parte mais importante?

    Ele sabe, assistiu e sentiu na pele tudo o que uma doença tão avassaladora pode trazer.  Explica as dificuldades, o vazio, a perda do sentido de orientação, o medo. Mas inspirado pela força da natureza da sua Tia Guida, o que ele transmite é essencialmente uma mensagem de amor, de esperança, de fé, de amizade, de humanindade e sim, de vida. Da vida que vivemos, da vida que queremos viver, das escolhas que fazemos na nossa vida, do direito a zangarmo-nos com a vida, na aceitação do que a vida nos traz e acima de tudo da vida que só faz sentido quando é partilhada com aqueles que amamos, nas alegrias e nas dificuldades.

    Para além disso, achei que a essência do livro ultrapassa esta doença em particular e aplica-se a muitas outras situações de vida que por serem tão difíceis arrasam-nos mas também nos transformam, para melhor. E de que é nas vulnerabilidades que podemos encontrar as nossas maiores forças. É, por isso, um livro para todos, um livro sobre o ser humano.

    Da parte que me toca, mas certamente não a única que me tocou, o André partilha o momento em que procurar ajuda tem muito mais de coragem do que de fraqueza. Deixo aqui apenas o conjunto de alguns excertos:


    "Nunca na vida tinha sido a favor de psicólogos. Sempre achei que existia um número excessivo de pessoas a recorrer à ajuda dos ditos especialistas, quando na verdade não tinham esgotado todas as alternativas que possuíam, desde o apoio familiar, ao apoio dos amigos e principalmente ao seu amor-próprio. Pois é. O que nunca me ocorrera é que, se calhar, em certas fases da vida, essas alternativas se esgotam e que a única solução é a ajuda de um especialista. Nunca me ocorrera que até as minhas alternativas se esgotaram. O equilíbrio que que sempre me caracterizara estava a perder-se. E isso assustou-me como nunca. Sentia-me um fardo para os outros e sei que, mesmo sem o dizerem na altura, os outros já me sentiam como um fardo, por não mais saberem o que me dizer para me ajudar a encontrar o caminho. Torturava-me a mim mesmo, por ter consciência da espiral em que estava a entrar, mas por não conseguir perceber porque motivo tal estava a acontecer.

    Tomei coragem - porque sim, é precisa coragem para se reconhecer a necessidade de sermos ajudados, principalmente quando sempre fomos aquele tipo de pessoa que ajuda todos sem nunca precisar de ser verdadeiramente ajudado - e procurei o apoio de um especialista. Uma especialista para ser mais concreto. E foi a melhor coisa que podia ter feito.

    Uma jovem psicóloga que, desde a primeira consulta, me conseguiu ajudar a compreender tudo o que se estava a passar. Decifrou-me, decifrou o problema e, nessa sua capacidade, fez-me sentir normal! Por isso, ser-lhe-ei eternamente grato.

    Finalmente tudo fazia sentido. E um bocadinho de sentido ajuda tanto, nas alturas em que tudo parece não o fazer. Ainda frequentei mais algumas sessões de psicologia e nunca me senti um fardo. É que, além de estarmos a ser ajudados por especialistas, estamos a ser ajudados por profissionais a quem está a ser pago um serviço, o que, por isso mesmo, não nos fará sentir como um fardo, liberando-nos do peso de estarmos a ser aborrecidos para os outros, um peso que ainda atrasa mais a nossa recuperação."
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    Uma das coisas que me realiza muito nesta profissão é ter a oportunidade de conhecer pessoas que para além de me confiarem as maiores intimidades das suas vidas, de certa forma trazem-me um pedaço de mim própria. Nas múltiplas gavetas de sentimentos que todos temos nesta condição humana, é como se cada um me abrisse uma gaveta diferente. Não só as ajudo a arrumar as gavetas como nesse processo e quase sem dar conta dou por mim a arrumar as minhas. Esta organização emocional nunca tem fim, nem neles nem em mim, mas saber que contribuí para aumentar a capacidade de alguém ser mais feliz é por si só o motor da vontade de continuar, mesmo que por vezes, deste lado, também nos seja doloroso olhar para as gavetas que temos cá dentro. No fundo, não são só os psicólogos que “curam” os pacientes. Estes também curam os psicólogos. E é por isso que quando nos agradecem a ajuda que prestámos através dos nossos serviços, resta-nos agradecer de volta.
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    Porque como o André diz num capítulo sobre partilha: "Quando partilhamos algo estamos, estamos a encontrar no outro o refúgio que já não encontramos em nós mesmos e, em simultâneo, estamos a permitir-lhe também a ele que encontre em nós e na nossa experiência uma espécie de abrigo Em ambos os casos, ensinamos e aprendemos uma das lições mais fundamentais de todas na vida: não estamos sós."
     
    (O livro pode ser comprado em qualquer FNAC ou através do site da editora. A página  do facebook AQUI)

    sexta-feira, 27 de Setembro de 2013

    Síndrome de Asperger


    A Síndrome de Asperger é considerada uma forma leve de autismo que é prevalente no sexo
    masculino. Apesar de não afectar necessariamente o desenvolvimento cognitivo e a pessoa até poder apresentar capacidades muito elevadas a esse nível, é sobretudo na comunicação não verbal e na interacção social que os comportamentos típicos destes indíviduos podem ser mal interpretados. O discurso muito literal e a dificuldade em compreender e expressar emoções pode ser confundida com falta de empatia ou até arrogância e levar à exclusão social. Por este motivo e para evitar a desintegração e isolamento de quem é portador, torna-se necessário divulgar e clarificar as características desta perturbação genética.
    As pessoas com Asperger têm comportamentos estereotipados, alguma descoordenação motora e interesses muito específicos por determinada área ou assunto, ao mesmo tempo que os interesses fora da mesma são muito limitados. Apresentam também uma maior incapacidade para lidar com mudanças de rotina.

    A diferença faz parte da normalidade, pelo que é essencial olhar para os aspectos positivos que facilmente podemos encontrar. A literalidade na comunicação pode ser encarada como uma total honestidade, assim como os interesses vincados podem ser vistos como uma enorme capacidade para aprofundar uma área de que gostam e na qual podemos ter acesso aos pormenores mais curiosos.

    Para a promoção do apoio e integração social das pessoas com este síndrome, existe a APSA - Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger.
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    terça-feira, 10 de Setembro de 2013

    "Mulheres que amam demais" - Sugestão de leitura #2



    A dependência emocional excessiva é uma das principais razões para a manutenção de relações amorosas auto-destrutivas. Neste livro, a autora explica porque é que para algumas mulheres amar é sempre sinónimo de sofrer, para além de descrever, através de muitos exemplos práticos, o padrão de comportamento que as leva inconscientemente a sentirem-se atraídas por homens problemáticos e perturbados e a considerar desinteressantes aqueles que as tratam bem.

    Autora: Robin Norwood

    quarta-feira, 14 de Agosto de 2013

    "Desatar o nó do luto" - Sugestão de leitura #1

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    O luto é uma das experiências mais difíceis que o ser humano pode sentir, e apenas ao ser vivido poderá ser ultrapassado. Neste livro, o autor, mestre em Psicologia da Saúde, não só explica muitas das dificuldades e etapas inevitáveis da pessoa em luto, como transmite uma perspectiva deste trajecto baseada na sua experiência pessoal de perda da esposa e filhas num trágico acidente. Recomenda-se a todos os que procurem compreender e ser compreendidos no luto.

    Autor: José Rebelo

    terça-feira, 24 de Julho de 2012

    Aprender a Ser Feliz



    É inerente ao ser humano procurar a felicidade. Quando se pergunta a alguém o que busca na vida, é frequente ouvirmos "ser feliz". Não sendo a felicidade algo palpável, mas um estado e emoção, a tendência é visualizarmos o que nos poderia fazer felizes e ir em busca de algo ou alguém, de uma meta ou objectivo que concretize esse sentimento tão ambicionado. No entanto, quando a Psicologia estuda os níveis de felicidade das pessoas, nas mais diversas circunstâncias, conclui-se normalmente que os mais felizes e que revelam maior bem-estar emocional, são aqueles que de uma forma ou de outra, mais ou menos conscientemente, aprenderam a sê-lo. Isto significa que acrescentam mais valor na rotina e nas banalidades e pessoas do quotidiano, no que pode efectivamente manter-nos felizes de forma mais contínua, do que propriamente em momentos especiais, únicos e dificeis de alcançar.
    Permanece ainda muito a ideia negativa de que a felicidade é alcançada apenas em alguns momentos pontuais da vida, como se na espaço entre esses momentos não pudessemos "exigir" manter níveis de contentamento que nos satisfazem e preenchem. Esta ideia demonstra o quanto este conceito pode ser subjectivo e depender essencialmente de como cada um de nós olha para a felicidade e para o que esta representa.
    Esta aprendizagem começa por ser adquirida na infância, perante os modelos que observamos todos os dias. Se uma criança crescer num ambiente em que quem a rodeia se sente feliz, é muito provável que reproduza esse padrão e que tenha experenciado uma série de vivências simples que são suficientes para saber manter-se feliz na vida adulta. Outras vezes, pelo contrário, ter um passado de muitas dificuldades e infelicidades, pode fazer com que a pessoa aprenda, por oposição, a ter uma atitude positiva perante a vida.
    Isto não exclui que, independentemente do passado que trazemos, todos nós passamos por momentos infelizes e por circunstâncias de vida muito dificeis de ultrapassar. Há factos e condições da vida que por si só são devastadores e nos quais a forma como vemos o mundo não nos protege do sofrimento.
    Contudo, uma parte da infelicidade é acima de tudo uma incapacidade involuntária de detectar e corrigir o que permanentemente nos deixa infelizes, atraíndo situações que agravam esse padrão. É nesse sentido que a Psicoterapia permite a uma pessoa nestas circunstâncias, analisar e comprender quais as barreiras externas e internas que estarão a prejudicar a possibilidade de se sentir feliz.

    Em baixo, um texto de Shakespeare. Aprendendo.

    "Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar nao significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança… começas a aprender que beijos não são tratos, e presentes não são promessas... E nao importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas saber perdoa-la por isso.
    Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais .
    Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida.
    Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida. (...)
    Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a ultima vez que as vemos. (...)
    Aprendes que paciência requer muita prática (...)
    Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.
    Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás, em algum momento, condenado. Aprendes que nao importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo nao pára para que o consertes.
    E finalmente, aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém te traga flores.
    E percebes que realmente podes suportar... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! (...)
    E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, o medo de tentar!"


    segunda-feira, 2 de Julho de 2012

    Sexualidade - Consulta de sexologia

    A sexualidade acompanha-nos desde sempre, desde a infância à velhice, e constitui um dos factores fundamentais no desenvolvimento do ser humano. Somos por natureza seres sexuados e este facto permite-nos estabelecer laços afectivos, dar e receber afecto, comunicar e obter prazer. Para vivermos uma sexualidade saudável é importante aprendermos a conhecer o nosso corpo, assim como a forma como vivênciamos a nossa própria vida sexual.
    Não existe uma única forma de experenciar a sexualidade, nem tão pouco uma correcta forma de a viver ou sentir. De pessoa para pessoa a gratificação sexual varia, tal como se pode manifestar de diversas formas na mesma pessoa ao longo dos tempos. É natural que aos 12 anos a sexualidade seja vivida de forma diferente do que aos 20 anos ou aos 50 anos e por aí fora, por existirem uma série de variáveis físicas, sociais e psicológicas inerentes à própria evolução de cada um.
    No ser humano as vivências sexuais têm uma finalidade para além da procriação, implicando a totalidade da pessoa e não apenas uma parte do corpo, ou seja é muito mais do que um contacto com as zonas genitais. É fonte de enriquecimento pessoal, de bem estar, prazer, satisfação e de crescimento, assim como um encontro com as fantasias, desejos, expectativas e emoções.
    Por vezes, surgem preocupações pessoais em relação à sexualidade, que podem levar a uma vivência sexual com medos, falsas expectativas e angústias. Estas preocupações podem ser muito diversas e levar a maiores ou menores consequências no nosso quotidiano e bem estar.
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    Podem também surgir questões de orientação sexual, como a homossexualidade, bissexualidade ou transexualidade que nos dias de hoje ainda têm uma conotação negativa para algumas pessoas e podem ser encaradas como o "desvio" à normalidade. Por vivermos em sociedade, as atitudes discriminatórias poderão ser inevitavelmente causadoras de sofrimento psiquico e de uma repressão da liberdade sexual.
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    Por estas ou outras questões relacionadas com a sexualidade, pode ser necessário procurar apoio psicológico. Ainda que estejamos numa época em que é fácil obter informação, a verdade é que ainda existe um enorme desconhecimento e crenças erradas acerca do que se supõe que todos tenham acesso. Por outro lado, o conhecimento por si só não é suficiente para viver uma sexualidade gratificante, sendo que aspectos emocionais podem estar na origem de algumas dificuldades que necessitam de ser resolvidas.

    quarta-feira, 23 de Maio de 2012

    Luto: A dor da Perda

    A perda de uma pessoa pela qual se tem um sentimento profundo, constitui uma das experiências mais dolorosas na vida e dá origem ao que se denomina por processo de luto. Este processo resulta da relação afectiva que existia entre as duas pessoas, e quanto maior for o grau de intimidade que as unia, maior será sofrimento, como é o caso da perda de um(a) filho(a), de uma pai ou mãe, do(a) cônjuge, familiar ou amigo muito próximo.

    A forma como o luto é vivido depende de pessoa para pessoa, mas existem algumas características que são comuns entre a maioria daqueles que passam por este processo. Normalmente, na fase inicial, dá-se um torpor ou dormência emocional em que a pessoa tem dificuldade em acreditar no que aconteceu. É esta negação da realidade que faz com que seja natural o enlutado ter uma energia inicial, por vezes quase eufórica, que lhe permite tratar das questões burocráticas inerentes a um falecimento.

    Mais tarde, começará a surgir a desorganização emocional, com uma grande agitação e ansiedade, estados depressivos, revolta com o que aconteceu e sentimentos de culpa por se achar que se podia ter dito ou feito algo enquanto a pessoa era viva ou para evitar a morte.
    Surge ainda um forte sentimento de querer encontrar a pessoa que faleceu e a angústia extrema de saber que nada se pode fazer para ter a pessoa amada de volta. Todas as situações e locais fazem lembrar o falecido e por vezes tem-se mesmo a sensação de que este ainda está presente, oscilando-se entre a recusa e a aceitação do sucedido e entre períodos mais ou menos críticos.

    Algumas pessoas começam a isolar-se porque sentem que mais ninguém consegue compreender a dor que estão a passar e que o seu problema é único e impossível de ultrapassar. É importante ajudar a pessoa no sentido de continuar a integrar-se com os familiares, amigos ou colegas e permitir que esta partilhe o que sente, para vencer o isolamento. Nem sempre isto se torna possível porque a pessoa que está em luto tem geralmente muita necessidade de falar constantemente sobre o falecido, podendo gerar reacções negativas naqueles que a rodeiam com o passar do tempo.
    O apoio psicológico, torna-se muito importante para permitir à pessoa expressar todas as emoções sem ter o receio de se tornar incomodativa ou de ter de reprimir o que sente e pensa para não magoar outras pessoas significativas que também estejam a passar pelo processo de luto. É ainda importante para recuperar lentamente uma maior estabilidade emocional, pois o facto de falar sobre os seus sentimentos e de receber compreensão, escuta e aconselhamento permite uma maior organização afectiva, aprendizagem e aceitação das fases pelas quais tem de passar para resolver o seu próprio luto internamente.

    Os grupos de entreajuda também são importantes porque através do relato de pessoas com lutos mais antigos, a pessoa tem consciência de que as sensações pelas quais está a passar fazem parte de um processo normal. Deste modo, sentem-se apoiadas e compreendidas, sendo que mais tarde têm também a oportunidade de ajudar outras pessoas em luto.

    Apesar da morte de um ente querido ser a principal razão para a ocorrência do luto, este também pode ser despoletado por outro tipo de situações, como por exemplo num divórcio, num aborto, na perda de um membro do corpo ou qualquer outra situação de vida que implique um conjunto de sentimentos que necessitam de algum tempo para ser resolvidos e que não devem ser apressados.

    Num processo de luto normal, à medida que o tempo passa e com o apoio adequado, a angústia e sofrimento começam a diminuir de intensidade e a pessoa começa a ganhar a capacidade de pensar noutros assuntos ou até programar projectos futuros. Apesar da perda se manter e de ser algo que permanece no interior da pessoa para a vida toda, torna-se possível que esta volte a sentir-se completa e que encare a vida de uma forma positiva.

    sexta-feira, 20 de Abril de 2012

    Mitos na Psicologia

    Ainda existem alguns mitos quando se fala na procura de um psicólogo, que podem inibir algumas pessoas de encontrar ajuda. Um dos mitos é que apenas as pessoas "malucas" ou muito perturbadas são seguidas por psicólogos. Mesmo alguns daqueles que optam por ultrapassar esse preconceito e procurar ajuda, têm tendência a esconder dos outros que estão a receber algum tipo de apoio ou acompanhamento psicoterapêutico.
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    Em parte, isto acontece pela crença distorcida e generalizada de que devemos ser capazes de enfrentar tudo sozinhos e que qualquer sinal de fraqueza deve ser ocultado. Podemos cometer o erro de querer ir ao encontro das expectativas sociais, existindo a preocupação da opinião dos outros e demonstrando que somos a tempo inteiro pessoas optimistas, decididas, positivas e de sucesso. Mas a verdade, é que todas estas ideias não correspondem fielmente à realidade. Negar uma fraqueza pode ser o primeiro passo para intensificá-la, assim como achar que não precisamos dos outros pode tornar-se a evidência de que não conseguimos estar sozinhos.
    Como seres humanos e não podendo fugir a essa condição, cabe-nos reconhecer que faz parte da nossa essência relacionarmo-nos com os outros e que não temos menor valor só porque em determinado momento podemos necessitar de ajuda psicológica. Muito pelo contrário, pois é indicador de que temos a coragem e força suficiente para expôr a nossas emoções e sentimentos e que estamos a ser honestos e verdadeiros conosco próprios.

    Todos nós já passámos por momentos de crise e nessas alturas utilizamos os nossos recursos internos e externos para saber lidar com esses momentos. Nesse sentido, as pessoas que nos rodeiam, como a família e/ou os amigos têm um papel muito importante para o suporte social de que necessitamos e para o nosso bem-estar. Contudo, em determinadas situações é necessário recorrer a um técnico que tenha conhecimentos efectivos para contribuir para uma verdadeira ajuda especializada, que nem os amigos nem família poderão proporcionar.

    Quando estamos doentes, não achamos que é uma fraqueza procurar um médico. Quando queremos emagrecer, não achamos que é uma fraqueza procurar um nutricionista. Quando queremos decorar a casa não achamos que é uma fraqueza procurar um decorador. Quando precisamos de apoio psicológico, será fraqueza procurar um psicólogo?

    quarta-feira, 4 de Abril de 2012

    Obsessão/Compulsão


    A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC), também designada por Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é uma perturbação de ansiedade muito frequente e fácil de diagnosticar.
    Em linhas gerais, a obsessão caracteriza-se por pensamentos intrusivos, repetitivos e persistentes que provocam inquietação e mal estar, enquanto que a compulsão manifesta-se por comportamentos/acções que a pessoa se sente impelida a executar e que tem muita dificuldade em controlar.

    Mais especificamente, as obsessões e as compulsões podem ser as mais variadas:
    - limpezas excessivas, como lavar as mãos constantemente ou limpar a casa diariamente; organização muito metódica, como ter tudo sempre muito arrumado, sem estar quase nada fora do sítio; verificação, ou seja, estar sempre a verificar por exemplo se as portas de casa ou o gás ficaram fechados; contagem, que está relacionado com enumerar e contar objectos repetidamente, como por exemplo uma gaveta, duas gavetas, três gavetas; rituais e/ou superstições excessivas, no sentido de fazer sempre as mesmas coisas nas mesmas alturas, como por exemplo acender e apagar as luzes do quarto várias vezes antes de deitar, havendo a sensação de que se esses rituais não forem executados, alguma coisa irá correr mal; entre outros.

    Ainda que os comportamentos possam ser muito diversos, a manifestação destes está relacionada com uma necessidade de "descarregar" a ansiedade, mesmo que esta não seja visível e a pessoa não se aperceba da mesma. A desorganização interna pela qual a pessoa esteja a passar é compensada por uma necessidade de organização e controlo exteriores. Explicando de uma forma simples: as coisas estão desarrumadas no interior da pessoa e ao arrumar ou controloar constantemente os objectos externos há uma sensação de alívio temporário. A obsessão é por exemplo estar sempre a pensar que as mãos estão sujas e com bactérias e a compulsão é a acção, nomeadamente ir lavar as mãos. Enquanto a pessoa não concretizar a compulsão, não consegue deixar de ter o pensamento obsessivo e sempre assim sucessivamente.

    Quando a pessoa percebe que o seu comportamento está a ser excessivo poderá haver tendência para "resistir" à compulsão, mas por outro lado a ansiedade poderá aumentar significativamente, porque pode conseguir controlar a acção mas não se consegue da mesma forma controlar os pensamentos, e estes podem dia após dia ser muito desgastantes e afectar imenso a vida da pessoa. Deste modo, actuar apenas no comportamento não é suficiente e daí a importância de uma psicoterapia para se intervir nos mecanismos psicológicos e emocionais que estão na origem do desenvolvimento da perturbação.

    As origens desta perturbação também são diversas e estão relacionadas com a história de vida de cada um. Por vezes, uma infância sentida como ameaçadora pode levar a criança ou jovem a sentir que precisa de ter sempre controlo sobre si próprio e sobre o que o rodeia. Na altura, a perturbação pode não se manifestar, mas mais tarde perante situações adversas do quotidiano as obsessões e as compulsões podem começar a ser despoletadas, instalando-se progressivamente.
    Uma educação rígida, com pais exigentes que valorizem muito a boa performance dos filhos, também pode gerar muita ansiedade, na medida em que estes sentem que têm de corresponder às expectativas dos pais, havendo pouco espaço à manifestação das suas características com maior liberdade e descontracção.
    Seja qual for a origem, existe tratamento e como a doença tem diferentes graus e intensidades na sintomatologia, é necessário estar atento ao evoluir dos sintomas, pois uma intervenção precoce é sempre o mais aconselhável.

    domingo, 25 de Março de 2012

    Orientação Escolar e Profissional

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    Um dos aspectos importantes no trajecto escolar de um adolescente prende-se com a definição da sua vida futura no âmbito profissional. O 9ºano de escolaridade assume-se como a primeira altura em que o jovem tem realmente de decidir qual a área predominante de estudo nos próximos anos de aprendizagem. Por esse motivo, aconselha-se que nesta altura o aluno faça provas de orientação vocacional, que o ajude a esclarecer dúvidas e a tomar uma decisão mais madura e consciente.

    Estas provas, também denominadas por testes psicotécnicos, irão recolher dois tipos de informação essenciais: os Interesses e as Aptidões. Os interesses dizem respeito às áreas pelas quais o jovem demonstra maior motivação e gosto e também ao que projecta que possa vir a ser a sua realização profissional, enquanto que as aptidões estão relacionadas com as suas reais capacidades nas diferentes áreas.

    Escolher uma área de estudos ou um curso de carácter técnico-profissional nem sempre se afigura uma tarefa fácil, pelo que é natural e frequente existirem indecisões, angústias e receios. Implica uma série de factores que devem ser analisados entre o aluno e o psicólogo na entrevista de orientação, como por exemplo uma discrepância entre as aptidões e os interesses, as expectativas do aluno, os desejos mais ou menos explícitos dos pais que podem gerar ambivalências no jovem, a falta de informação relativamente aos cursos e à relação destes com o mercado de trabalho, a consciência de que é difícil perceber o que realmente gostará de fazer daqui a uns anos, entre outros.

    É importante frisar que esta escolha não é estática e não se pretende criar um determinismo à volta da mesma, ou seja, actualmente as nossas escolas permitem ao aluno frequentar exames de disciplinas que não estão contempladas no seu currículo, havendo sempre a oportunidade de mudança numa perspectiva de prosseguimento de estudos após o 12ºano.
    Como ponto de partida, devemos compreender que para que o aluno obtenha sucesso numa determinada área, é necessário que exista para além dum investimento intelectual, um investimento afectivo e emocional que funcione como a “alavanca” no desejo de aprender. Para que isso aconteça, é necessário considerar a possibilidade de mudanças no trajecto do aluno e deixá-lo criar o seu espaço onde este aprenda a movimentar-se com segurança e liberdade, assim como a assumir uma responsabilização perante as suas decisões.

    Os alunos do 12ºano de escolaridade que pretendam prosseguir estudos também beneficiam de uma orientação vocacional, independentemente de já ter sido realizada no 9ºano. Isto porque no 9ºano a decisão contempla uma área de estudo que é mais generalista, sendo que a partir do 12ºano a escolha já é específica e reveladora daquilo que será o futuro profissional do jovem. Para além das dificuldades apontadas anteriormente, enquanto processo de decisão, aqui são acrescentadas muitas vezes outro tipo de dúvidas, relacionadas com as médias e requisitos de entrada na universidade, com as localidades do país em que existem determinados cursos, com as saídas profissionais, ou mesmo com um sentimento de enorme pressão por não se saber verdadeiramente qual o curso de interesse.

    Existem alunos que desde muito cedo manifestaram interesse por uma determinada área, e começam a esboçar um percurso mais linear, tornando-se eventualmente profissionais realizados. No entanto, um jovem que sempre soube aquilo que quis não é necessariamente o mais bem sucedido. As dúvidas, os receios ou mesmo os erros nas escolhas fazem parte de uma aprendizagem e de um processo de evolução característico de qualquer ser humano e que atinge uma maior intensidade na fase da adolescência, por ser característica de enormes mudanças físicas e emocionais num curto espaço de tempo. Assim, se um jovem está muito indeciso relativamente ao seu futuro e prolonga a sua decisão, isso não é sinónimo de fracasso ou desinteresse no futuro e pode junto dos pais procurar profissionais especializados que certamente o saberão ajudar e orientar nesta fase importante da sua vida.

    quinta-feira, 22 de Março de 2012

    Psiquiatra ou Psicólogo?

    Por vezes ainda se confunde o Psiquiatra do Psicólogo Clínico, pelo facto de ambos intervirem ao nível da saúde mental. Contudo, têm funções bastante distintas, que muitas vezes se complementam.

    O Psiquiatra é um médico, ou seja, tem uma formação centrada no funcionamento fisiológico e biológico do ser humano, tendo por objectivo tratar doenças ao nível mental através de psicofármacos.
    Os Psicofármacos são indispensáveis para tratar determinadas problemáticas, mas nem sempre é necessário recorrer a este tipo de medicamentos. Por vezes, o ritmo da nossa sociedade leva-nos a procurar a solução mais fácil e rápida, mas que não é necessariamente a mais aconselhável.

    O Psicólogo insere-se numa visão mais abrangente e integradora do ser humano, na medida em que dá relevância aos aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Cada pessoa tem uma experiência de vida diferente e é na ligação destes aspectos que surge a sua individualidade. O Psicólogo Clínico não prescreve medicação, mas tem competências para aconselhá-lo acerca da eventual necessidade de procurar um psiquiatra ou médico de família.

    Os anti-depressivos e os ansiolíticos constituem os psicofármacos mais consumidos pela população, e muitas vezes um acompanhamento psicoterapêutico seria o suficiente. Noutras situações é benéfico para a pessoa que esta concilie a terapêutica farmacológica com o acompanhamento psicoterapêutico.

    domingo, 15 de Janeiro de 2012

    Consulta de Psicologia Online (Skype)


    Com o crescimento das vantagens nas tecnologias de informação e internet, as consultas de psicologia online têm-se tornado uma opção alternativa em algumas situações específicas de impossibilidade ou dificuldade de obter uma consulta presencial. É o caso de:
    - Portugueses que residem no estrangeiro, em que a língua materna é neste tipo de serviço fundamental para uma comunicação e compreensão eficazes; 

     
    - Pessoas que residem em locais isolados do país;
    - Pessoas que não se podem deslocar fisicamente ao consultório por motivos de saúde;
    - Contacto inicial em contexto anónimo através de conversação por voz e com ausência de imagem, se for essa a vontade do cliente.

    As consultas presenciais não podem ser substituídas por este método, pois permitem uma maior proximidade na expressão de sentimentos e emoções e são claramente vantajosas na relação terapêutica entre o psicólogo e o paciente. No entanto, todos devem ter acesso à possibilidade de receber aconselhamento psicológico e por outro lado, em algumas pessoas, o atendimento à distância permite uma maior facilidade na comunicação directa dos motivos de preocupações devido ao formato menos "real" do contacto virtual. Pode ser ainda um ponto de partida para que posteriormente o cliente se desloque ao consultório com mais segurança.

    Para efectuar uma marcação de consulta online basta enviar email com o pedido e posteriormente ser-lhe-ão fornecidas todas as informações necessárias relativamente a horários disponíveis e modo de pagamento. Dá-se preferência à utilização do Skype, ainda que possam ser utilizadas outras alternativas. Cada sessão tem uma duração de 50 a 60 minutos e um custo único de 35 euros.

    segunda-feira, 11 de Julho de 2011

    Solidão

    A existência de momentos em que estamos sozinhos pode ser sentida como gratificante, permitindo-nos estar em contacto connosco próprios, com os nossos pensamentos, momentos de lazer individuais ou até mesmo como forma de nos afastarmos temporariamente de quem nos rodeia, inclusive daqueles que gostamos.
    É saudável sentirmos felicidade nas situações em que disfrutamos simplesmente da nossa companhia.
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    Isto difere da solidão. Quando uma pessoa vivência este tipo de sentimento, relata dificuldade em sentir-se acompanhada, mesmo que em alguns momentos várias pessoas estejam à sua volta. Há uma sensação contínua de vazio e de perda de sentido que tanto pode estar a ser involuntariamente provocada pela própria pessoa ou por circunstâncias externas que não consegue controlar. Essas circunstâncias tanto podem assentar numa mudança de residência como na perda de laços afectivos e podem ser pouco duradouras se a pessoa tiver anteriormente aprendido a comunicar com os outros e a estabelecer ligações.
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    Quando a solidão é sentida desde muito cedo no desenvolvimento da pessoa, pode levar ao reforço do problema enquanto padrão emocional e de comportamento e estar muito presente ao longo da vida. Nestes casos a pessoa precisa de ser ajudada a identificar porque motivo não teve a oportunidade de se sentir mais acompanhada, compreendida e ligada a um círculo de pessoas com quem se consiga identificar e de que forma poderá a pouco e pouco alterar o seu funcionamento habitual.
    Por exemplo, um sentimento de exclusão em idades precoces pode levar a criança ou jovem a habituar-se a contar consigo própria e a não partilhar o que pensa e sente. Com o passar do tempo, torna-se automático não considerar a possibilidade de se envolver noutros grupos que poderiam reduzir ou até mesmo eliminar o sentimento inicial, por percepção prévia de inadequação. A ausência de ligações passadas diminui a possibilidade de criar novas ligações no futuro e assim sucessivamente, podendo-se tornar muito complicado iniciar todo o processo já na idade adulta em que por diversos motivos há menos oportunidades de espontâneamente criar amizades.
    Por outro lado, a solidão gera solidão e quanto mais sozinhos nos sentimos, mais sozinhos procuramos ficar.
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    Na vida adulta, a existência de uma relação amorosa satisfatória e eventualmente a formação de uma família para além da de origem, é também um factor muito importante no que toca à solidão. O ser humano geralmente necessita de estabelecer este género de vínculos para amar e sentir-se amado de uma forma mais profunda, presente e permanente, assim como de criar um sentido de continuidade através de filhos. No entanto, isto são traços gerais, pois há obviamente muitas pessoas que encontram felicidade em formatos menos tradicionais.
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    No idoso, a solidão pode ser completamente devastadora, na medida em que é uma fase da vida em que não se procura tanto estabelecer novos contactos, mas sim viver com satisfação as amizades e relações feitas ao longo de uma vida. Infelizmente não são apenas os idosos que não têm família que sofrem de um total isolamento, pois verifica-se que esta faixa etária tem vindo a ser menos respeitada dentro do próprio núcleo familiar. Há uma espécie de consenso entre várias pessoas de que não podemos travar as nossas vidas por causa dos idosos e isto consegue ser mais doloroso do que não ter familaires. Uma velhice sem lugar, sem amor e afecto levará inevitavelmente a uma pobre qualidade de vida e à incidência da depressão.
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    As mudanças sociais revelam, no entanto, que independentemente da idade a solidão tem-se vindo a acentuar cada vez mais e que a modernidade nos permite ter amis contactos, mas também vivê-los de forma muito mais superficial.
    Os divórcios, as mudanças constantes de escolas e de locais de trabalho e um menor sentido de comunidade decorrente principalmente das grandes cidades, são factores que contribuem para o isolamento e consequentemente para a solidão. Se por um lado estamos mais orientados para a procura de satisfação pessoal, e daí termos vidas com mudanças constantes e supostamente para melhor, por outro lado apercebemo-nos de que essa procura pode trazer ao mesmo tempo menos disponibilidade para criar e manter relações.
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    É-nos também transmitida a ideia errada de que um elevado número de experiências diferentes é sinónimo de felicidade, o que pode levar à ansiedade de saltar rapidamente de uma vivência para outra sem retirar o que cada uma delas nos pode verdadeiramente dar. Isto significa que na globalização em que vivemos precisamos de adquirir um filtro que nos ajude a detectar o essencial do acessório, ou seja, a depender mais das necessidades internas do que de exigências sociais externas. Se o fizermos, é bem provável que a nossa agenda esteja menos cheia mas que também nos possamos sentir menos sozinhos.
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    Quando a pessoa sente que está permanentemente com um sentimento de solidão, é aconselhável procurar a ajuda de um profissional. A compreensão do que originou esse problema é por si só um motor para a redução desse sentimento e as perspectivas do que poderá ser mudado o outro grande passo para que a situação se resolva.