Terça-feira, 24 de Julho de 2012

Aprender a Ser Feliz


É inerente ao ser humano procurar a felicidade. Quando se pergunta a alguém o que busca na vida, é frequente ouvirmos "ser feliz". Não sendo a felicidade algo palpável, mas um estado e emoção, a tendência é visualizarmos o que nos poderia fazer felizes e ir em busca de algo ou alguém, de uma meta ou objectivo que concretize esse sentimento tão ambicionado. No entanto, quando a Psicologia estuda os níveis de felicidade das pessoas, nas mais diversas circunstâncias, conclui-se normalmente que os mais felizes e que revelam maior bem-estar emocional, são aqueles que de uma forma ou de outra, mais ou menos conscientemente, aprenderam a sê-lo. Isto significa que acrescentam mais valor na rotina e nas banalidades e pessoas do quotidiano, no que pode efectivamente manter-nos felizes de forma mais contínua, do que propriamente em momentos especiais, únicos e dificeis de alcançar.
Permanece ainda muito a ideia negativa de que a felicidade é alcançada apenas em alguns momentos pontuais da vida, como se na espaço entre esses momentos não pudessemos "exigir" manter níveis de contentamento que nos satisfazem e preenchem. Esta ideia demonstra o quanto este conceito pode ser subjectivo e depender essencialmente de como cada um de nós olha para a felicidade e para o que esta representa.
Esta aprendizagem começa por ser adquirida na infância, perante os modelos que observamos todos os dias. Se uma criança crescer num ambiente em que quem a rodeia se sente feliz, é muito provável que reproduza esse padrão e que tenha experenciado uma série de vivências simples que são suficientes para saber manter-se feliz na vida adulta. Outras vezes, pelo contrário, ter um passado de muitas dificuldades e infelicidades, pode fazer com que a pessoa aprenda, por oposição, a ter uma atitude positiva perante a vida.
Isto não exclui que, independentemente do passado que trazemos, todos nós passamos por momentos infelizes e por circunstâncias de vida muito dificeis de ultrapassar. Há factos e condições da vida que por si só são devastadores e nos quais a forma como vemos o mundo não nos protege do sofrimento.
Contudo, uma parte da infelicidade é acima de tudo uma incapacidade involuntária de detectar e corrigir o que permanentemente nos deixa infelizes, atraíndo situações que agravam esse padrão. É nesse sentido que a Psicoterapia permite a uma pessoa nestas circunstâncias, analisar e comprender quais as barreiras externas e internas que estarão a prejudicar a possibilidade de se sentir feliz.

Em baixo, um texto de Shakespeare. Aprendendo.

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar nao significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança… começas a aprender que beijos não são tratos, e presentes não são promessas... E nao importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas saber perdoa-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais .
Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida. (...)
Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a ultima vez que as vemos. (...)
Aprendes que paciência requer muita prática (...)
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás, em algum momento, condenado. Aprendes que nao importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo nao pára para que o consertes.
E finalmente, aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém te traga flores.
E percebes que realmente podes suportar... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! (...)
E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, o medo de tentar!"


Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

Sexualidade

A sexualidade acompanha-nos desde sempre, desde a infância à velhice, e constitui um dos factores fundamentais no desenvolvimento do ser humano. Somos por natureza seres sexuados e este facto permite-nos estabelecer laços afectivos, dar e receber afecto, comunicar e obter prazer. Para vivermos uma sexualidade saudável é importante aprendermos a conhecer o nosso corpo, assim como a forma como vivênciamos a nossa própria vida sexual.
Não existe uma única forma de experenciar a sexualidade, nem tão pouco uma correcta forma de a viver ou sentir. De pessoa para pessoa a gratificação sexual varia, tal como se pode manifestar de diversas formas na mesma pessoa ao longo dos tempos. É natural que aos 12 anos a sexualidade seja vivida de forma diferente do que aos 20 anos ou aos 50 anos e por aí fora, por existirem uma série de variáveis físicas, sociais e psicológicas inerentes à própria evolução de cada um.
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No ser humano as vivências sexuais têm uma finalidade para além da procriação, implicando a totalidade da pessoa e não apenas uma parte do corpo, ou seja é muito mais do que um contacto com as zonas genitais. É fonte de enriquecimento pessoal, de bem estar, prazer, satisfação e de crescimento, assim como um encontro com as fantasias, desejos, expectativas e emoções.
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Por vezes, surgem preocupações pessoais em relação à sexualidade, que podem levar a uma vivência sexual com medos, falsas expectativas e angústias. Estas preocupações podem ser muito diversas e levar a maiores ou menores consequências no nosso quotidiano e bem estar.
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Podem também surgir questões de orientação sexual, como a homossexualidade, bissexualidade ou transexualidade que nos dias de hoje ainda têm uma conotação negativa para algumas pessoas e podem ser encaradas como o "desvio" à normalidade. Por vivermos em sociedade, as atitudes discriminatórias poderão ser inevitavelmente causadoras de sofrimento psiquico e de uma repressão da liberdade sexual.
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Por estas ou outras questões relacionadas com a sexualidade, pode ser necessário procurar apoio psicológico. Ainda que estejamos numa época em que é fácil obter informação, a verdade é que ainda existe um enorme desconhecimento e crenças erradas acerca do que se supõe que todos tenham acesso. Por outro lado, o conhecimento por si só não é suficiente para viver uma sexualidade gratificante, sendo que aspectos emocionais podem estar na origem de algumas dificuldades que necessitam de ser resolvidas.



Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Luto: A dor da Perda


A perda de uma pessoa pela qual se tem um sentimento profundo, constitui uma das experiências mais dolorosas na vida e dá origem ao que se denomina por processo de luto. Este processo resulta da relação afectiva que existia entre as duas pessoas, e quanto maior for o grau de intimidade que as unia, maior será sofrimento, como é o caso da perda de um(a) filho(a), de uma pai ou mãe, do(a) cônjuge, familiar ou amigo muito próximo.

A forma como o luto é vivido depende de pessoa para pessoa, mas existem algumas características que são comuns entre a maioria daqueles que passam por este processo. Normalmente, na fase inicial, dá-se um torpor ou dormência emocional em que a pessoa tem dificuldade em acreditar no que aconteceu. É esta negação da realidade que faz com que seja natural o enlutado ter uma energia inicial, por vezes quase eufórica, que lhe permite tratar das questões burocráticas inerentes a um falecimento.

Mais tarde, começará a surgir a desorganização emocional, com uma grande agitação e ansiedade, estados depressivos, revolta com o que aconteceu e sentimentos de culpa por se achar que se podia ter dito ou feito algo enquanto a pessoa era viva ou para evitar a morte.
Surge ainda um forte sentimento de querer encontrar a pessoa que faleceu e a angústia extrema de saber que nada se pode fazer para ter a pessoa amada de volta. Todas as situações e locais fazem lembrar o falecido e por vezes tem-se mesmo a sensação de que este ainda está presente, oscilando-se entre a recusa e a aceitação do sucedido e entre períodos mais ou menos críticos.

Algumas pessoas começam a isolar-se porque sentem que mais ninguém consegue compreender a dor que estão a passar e que o seu problema é único e impossível de ultrapassar. É importante ajudar a pessoa no sentido de continuar a integrar-se com os familiares, amigos ou colegas e permitir que esta partilhe o que sente, para vencer o isolamento. Nem sempre isto se torna possível porque a pessoa que está em luto tem geralmente muita necessidade de falar constantemente sobre o falecido, podendo gerar reacções negativas naqueles que a rodeiam com o passar do tempo.
O apoio psicológico, torna-se muito importante para permitir à pessoa expressar todas as emoções sem ter o receio de se tornar incomodativa ou de ter de reprimir o que sente e pensa para não magoar outras pessoas significativas que também estejam a passar pelo processo de luto. É ainda importante para recuperar lentamente uma maior estabilidade emocional, pois o facto de falar sobre os seus sentimentos e de receber compreensão, escuta e aconselhamento permite uma maior organização afectiva, aprendizagem e aceitação das fases pelas quais tem de passar para resolver o seu próprio luto internamente.

Os grupos de entreajuda também são importantes porque através do relato de pessoas com lutos mais antigos, a pessoa tem consciência de que as sensações pelas quais está a passar fazem parte de um processo normal. Deste modo, sentem-se apoiadas e compreendidas, sendo que mais tarde têm também a oportunidade de ajudar outras pessoas em luto.

Apesar da morte de um ente querido ser a principal razão para a ocorrência do luto, este também pode ser despoletado por outro tipo de situações, como por exemplo num divórcio, num aborto, na perda de um membro do corpo ou qualquer outra situação de vida que implique um conjunto de sentimentos que necessitam de algum tempo para ser resolvidos e que não devem ser apressados.

Num processo de luto normal, à medida que o tempo passa e com o apoio adequado, a angústia e sofrimento começam a diminuir de intensidade e a pessoa começa a ganhar a capacidade de pensar noutros assuntos ou até programar projectos futuros. Apesar da perda se manter e de ser algo que permanece no interior da pessoa para a vida toda, torna-se possível que esta volte a sentir-se completa e que encare a vida de uma forma positiva.

Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Mitos na Psicologia

Ainda existem alguns mitos quando se fala na procura de um psicólogo, que podem inibir algumas pessoas de encontrar ajuda. Um dos mitos é que apenas as pessoas "malucas" ou muito perturbadas são seguidas por psicólogos. Mesmo alguns daqueles que optam por ultrapassar esse preconceito e procurar ajuda, têm tendência a esconder dos outros que estão a receber algum tipo de apoio ou acompanhamento psicoterapêutico.
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Em parte, isto acontece pela crença distorcida e generalizada de que devemos ser capazes de enfrentar tudo sozinhos e que qualquer sinal de fraqueza deve ser ocultado. Podemos cometer o erro de querer ir ao encontro das expectativas sociais, existindo a preocupação da opinião dos outros e demonstrando que somos a tempo inteiro pessoas optimistas, decididas, positivas e de sucesso. Mas a verdade, é que todas estas ideias não correspondem fielmente à realidade. Negar uma fraqueza pode ser o primeiro passo para intensificá-la, assim como achar que não precisamos dos outros pode tornar-se a evidência de que não conseguimos estar sozinhos.
Como seres humanos e não podendo fugir a essa condição, cabe-nos reconhecer que faz parte da nossa essência relacionarmo-nos com os outros e que não temos menor valor só porque em determinado momento podemos necessitar de ajuda psicológica. Muito pelo contrário, pois é indicador de que temos a coragem e força suficiente para expôr a nossas emoções e sentimentos e que estamos a ser honestos e verdadeiros conosco próprios.

Todos nós já passámos por momentos de crise e nessas alturas utilizamos os nossos recursos internos e externos para saber lidar com esses momentos. Nesse sentido, as pessoas que nos rodeiam, como a família e/ou os amigos têm um papel muito importante para o suporte social de que necessitamos e para o nosso bem-estar. Contudo, em determinadas situações é necessário recorrer a um técnico que tenha conhecimentos efectivos para contribuir para uma verdadeira ajuda especializada, que nem os amigos nem família poderão proporcionar.

Quando estamos doentes, não achamos que é uma fraqueza procurar um médico. Quando queremos emagrecer, não achamos que é uma fraqueza procurar um nutricionista. Quando queremos decorar a casa não achamos que é uma fraqueza procurar um decorador. Quando precisamos de apoio psicológico, será fraqueza procurar um psicólogo?

Quarta-feira, 4 de Abril de 2012

Obsessão/Compulsão


A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC), também designada por Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é uma perturbação de ansiedade muito frequente e fácil de diagnosticar.
Em linhas gerais, a obsessão caracteriza-se por pensamentos intrusivos, repetitivos e persistentes que provocam inquietação e mal estar, enquanto que a compulsão manifesta-se por comportamentos/acções que a pessoa se sente impelida a executar e que tem muita dificuldade em controlar.

Mais especificamente, as obsessões e as compulsões podem ser as mais variadas:
- limpezas excessivas, como lavar as mãos constantemente ou limpar a casa diariamente; organização muito metódica, como ter tudo sempre muito arrumado, sem estar quase nada fora do sítio; verificação, ou seja, estar sempre a verificar por exemplo se as portas de casa ou o gás ficaram fechados; contagem, que está relacionado com enumerar e contar objectos repetidamente, como por exemplo uma gaveta, duas gavetas, três gavetas; rituais e/ou superstições excessivas, no sentido de fazer sempre as mesmas coisas nas mesmas alturas, como por exemplo acender e apagar as luzes do quarto várias vezes antes de deitar, havendo a sensação de que se esses rituais não forem executados, alguma coisa irá correr mal; entre outros.

Ainda que os comportamentos possam ser muito diversos, a manifestação destes está relacionada com uma necessidade de "descarregar" a ansiedade, mesmo que esta não seja visível e a pessoa não se aperceba da mesma. A desorganização interna pela qual a pessoa esteja a passar é compensada por uma necessidade de organização e controlo exteriores. Explicando de uma forma simples: as coisas estão desarrumadas no interior da pessoa e ao arrumar ou controoar constantemente os objectos externos há uma sensação de alívio temporário. A obsessão é por exemplo estar sempre a pensar que as mãos estão sujas e com bactérias e a compulsão é a acção. nomeadamente ir lavar as mãos. Enquanto a pessoa não concretizar a compulsão, não consegue deixar de ter o pensamento obsessivo e sempre assim sucessivamente.

Quando a pessoa percebe que o seu comportamento está a ser excessivo poderá haver tendência para "resistir" à compulsão, mas por outro lado a ansiedade poderá aumentar significativamente, porque pode conseguir controlar a acção mas não se consegue da mesma forma controlar os pensamentos, e estes podem dia após dia ser muito desgastantes e afectar imenso a vida da pessoa. Deste modo, actuar apenas no comportamento não é suficiente e daí a importância de uma psicoterapia para se actuar nos mecanismos psicológicos e emocionais que estão na origem do desenvolvimento da perturbação.

As origens desta perturbação também são diversas e estão relacionadas com a história de vida de cada um. Por vezes, uma infância sentida como ameaçadora pode levar a criança ou jovem a sentir que precisa de ter sempre controlo sobre si próprio e sobre o que o rodeia. Na altura, a perturbação pode não se manifestar, mas mais tarde perante situações adversas do quotidiano as obsessões e as compulsões podem começar a ser despoletadas, instalando-se progressivamente.
Uma educação rígida, com pais exigentes que valorizem muito a boa performance dos fihos também pode gerar muita ansiedade, na medida em que estes sentem que têm de corresponder às expectativas dos pais, havendo pouco espaço à manifestação das suas características com maior liberdade e descontracção.
Seja qual for a origem, existe tratamento e como a doença tem diferentes graus e intensidades na sintomatologia, é necessário estar atento ao evoluir dos sintomas, pois uma intervenção precoce é sempre o mais aconselhável.

Domingo, 25 de Março de 2012

Orientação Escolar e Profissional

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Um dos aspectos importantes no trajecto escolar de um adolescente prende-se com a definição da sua vida futura no âmbito profissional. O 9ºano de escolaridade assume-se como a primeira altura em que o jovem tem realmente de decidir qual a área predominante de estudo nos próximos anos de aprendizagem. Por esse motivo, aconselha-se que nesta altura o aluno faça provas de orientação vocacional, que o ajude a esclarecer dúvidas e a tomar uma decisão mais madura e consciente.

Estas provas, também denominadas por testes psicotécnicos, irão recolher dois tipos de informação essenciais: os Interesses e as Aptidões. Os interesses dizem respeito às áreas pelas quais o jovem demonstra maior motivação e gosto e também ao que projecta que possa vir a ser a sua realização profissional, enquanto que as aptidões estão relacionadas com as suas reais capacidades nas diferentes áreas.

Escolher uma área de estudos ou um curso de carácter técnico-profissional nem sempre se afigura uma tarefa fácil, pelo que é natural e frequente existirem indecisões, angústias e receios. Implica uma série de factores que devem ser analisados entre o aluno e o psicólogo na entrevista de orientação, como por exemplo uma discrepância entre as aptidões e os interesses, as expectativas do aluno, os desejos mais ou menos explícitos dos pais que podem gerar ambivalências no jovem, a falta de informação relativamente aos cursos e à relação destes com o mercado de trabalho, a consciência de que é difícil perceber o que realmente gostará de fazer daqui a uns anos, entre outros.

É importante frisar que esta escolha não é estática e não se pretende criar um determinismo à volta da mesma, ou seja, actualmente as nossas escolas permitem ao aluno frequentar exames de disciplinas que não estão contempladas no seu currículo, havendo sempre a oportunidade de mudança numa perspectiva de prosseguimento de estudos após o 12ºano.
Como ponto de partida, devemos compreender que para que o aluno obtenha sucesso numa determinada área, é necessário que exista para além dum investimento intelectual, um investimento afectivo e emocional que funcione como a “alavanca” no desejo de aprender. Para que isso aconteça, é necessário considerar a possibilidade de mudanças no trajecto do aluno e deixá-lo criar o seu espaço onde este aprenda a movimentar-se com segurança e liberdade, assim como a assumir uma responsabilização perante as suas decisões.

Os alunos do 12ºano de escolaridade que pretendam prosseguir estudos também beneficiam de uma orientação vocacional, independentemente de já ter sido realizada no 9ºano. Isto porque no 9ºano a decisão contempla uma área de estudo que é mais generalista, sendo que a partir do 12ºano a escolha já é específica e reveladora daquilo que será o futuro profissional do jovem. Para além das dificuldades apontadas anteriormente, enquanto processo de decisão, aqui são acrescentadas muitas vezes outro tipo de dúvidas, relacionadas com as médias e requisitos de entrada na universidade, com as localidades do país em que existem determinados cursos, com as saídas profissionais, ou mesmo com um sentimento de enorme pressão por não se saber verdadeiramente qual o curso de interesse.

Existem alunos que desde muito cedo manifestaram interesse por uma determinada área, e começam a esboçar um percurso mais linear, tornando-se eventualmente profissionais realizados. No entanto, um jovem que sempre soube aquilo que quis não é necessariamente o mais bem sucedido. As dúvidas, os receios ou mesmo os erros nas escolhas fazem parte de uma aprendizagem e de um processo de evolução característico de qualquer ser humano e que atinge uma maior intensidade na fase da adolescência, por ser característica de enormes mudanças físicas e emocionais num curto espaço de tempo. Assim, se um jovem está muito indeciso relativamente ao seu futuro e prolonga a sua decisão, isso não é sinónimo de fracasso ou desinteresse no futuro e pode junto dos pais procurar profissionais especializados que certamente o saberão ajudar e orientar nesta fase importante da sua vida.

Quinta-feira, 22 de Março de 2012

Psiquiatra ou Psicólogo?



Por vezes ainda se confunde o Psiquiatra do Psicólogo Clínico, pelo facto de ambos intervirem ao nível da saúde mental. Contudo, têm funções bastante distintas, que muitas vezes se complementam.

O Psiquiatra é um médico, ou seja, tem uma formação centrada no funcionamento fisiológico e biológico do ser humano, tendo por objectivo tratar doenças ao nível mental através de psicofármacos.
Os Psicofármacos são indispensáveis para tratar determinadas problemáticas, mas nem sempre é necessário recorrer a este tipo de medicamentos. Por vezes, o ritmo da nossa sociedade leva-nos a procurar a solução mais fácil e rápida, mas que não é necessariamente a mais aconselhável.

O Psicólogo insere-se numa visão mais abrangente e integradora do ser humano, na medida em que dá relevância aos aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Cada pessoa tem uma experiência de vida diferente e é na ligação destes aspectos que surge a sua individualidade. O Psicólogo Clínico não prescreve medicação, mas tem competências para aconselhá-lo acerca da eventual necessidade de procurar um psiquiatra ou médico de família.

Os anti-depressivos e os ansiolíticos constituem os psicofármacos mais consumidos pela população, e muitas vezes um acompanhamento psicoterapêutico seria o suficiente. Noutras situações é benéfico para a pessoa que esta concilie a terapêutica farmacológica com o acompanhamento psicoterapêutico.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Consulta de Psicologia Online (Skype)


Com o crescimento das vantagens nas tecnologias de informação e internet, as consultas de psicologia online têm-se tornado uma opção alternativa em algumas situações específicas de impossibilidade ou dificuldade de obter uma consulta presencial. É o caso de:
- Portugueses que residem no estrangeiro, em que a língua materna é neste tipo de serviço fundamental para uma comunicação e compreensão eficazes; 
- Pessoas que residem em sitios isolados do país;
- Pessoas que não se podem deslocar fisicamente ao consultório por motivos de saúde;
- Contacto inicial em contexto anónimo através de conversação por voz e com ausência de imagem, se for essa a vontade do cliente.

As consultas presenciais não podem ser substituídas por este método, pois permitem uma maior proximidade na expressão de sentimentos e emoções e são claramente vantajosas na relação terapêutica entre o psicólogo e o paciente. No entanto, todos devem ter acesso à possibilidade de receber aconselhamento psicológico e por outro lado, em algumas pessoas, o atendimento à distância permite uma maior facilidade na comunicação directa dos motivos de preocupações devido ao formato menos "real" do contacto virtual. Pode ser ainda um ponto de partida para que posteriormente o cliente se desloque ao consultório com mais segurança.

Para efectuar uma marcação de consulta online basta enviar email com o pedido e posteriormente ser-lhe-ão fornecidas todas as informações necessárias relativamente a horários disponíveis e modo de pagamento. Dá-se preferência à utilização do Skype, ainda que possam ser utilizadas outras alternativas. Cada sessão tem uma duração de 50 a 60 minutos e um custo único de 35 euros.

Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

Solidão

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A existência de momentos em que estamos sozinhos pode ser sentida como gratificante, permitindo-nos estar em contacto connosco próprios, com os nossos pensamentos, momentos de lazer individuais ou até mesmo como forma de nos afastarmos temporariamente de quem nos rodeia, inclusive daqueles que gostamos.
É saudável sentirmos felicidade nas situações em que disfrutamos simplesmente da nossa companhia.
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Isto difere da solidão. Quando uma pessoa vivência este tipo de sentimento, relata dificuldade em sentir-se acompanhada, mesmo que em alguns momentos várias pessoas estejam à sua volta. Há uma sensação contínua de
vazio e de perda de sentido que tanto pode estar a ser involuntariamente provocada pela própria pessoa ou por circunstâncias externas que não consegue controlar. Essas circunstâncias tanto podem assentar numa mudança de residência como na perda de laços afectivos e podem ser pouco duradouras se a pessoa tiver anteriormente aprendido a comunicar com os outros e a estabelecer ligações.
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Quando a solidão é sentida desde muito cedo no desenvolvimento da pessoa, pode levar ao reforço do problema enquanto padrão emocional e de comportamento e estar muito presente ao longo da vida. Nestes casos a pessoa precisa de ser ajudada a identificar porque motivo não teve a oportunidade de se sentir mais acompanhada, compreendida e ligada a um círculo de pessoas com quem se consiga identificar e de que forma poderá a pouco e pouco alterar o seu funcionamento habitual.
Por exemplo, um sentimento de exclusão em idades precoces pode levar a criança ou jovem a habituar-se a contar consigo própria e a não partilhar o que pensa e sente. Com o passar do tempo, torna-se automático não considerar a possibilidade de se envolver noutros grupos que poderiam reduzir ou até mesmo eliminar o sentimento inicial, por percepção prévia de inadequação. A ausência de ligações passadas diminui a possibilidade de criar novas ligações no futuro e assim sucessivamente, podendo-se tornar muito complicado iniciar todo o processo já na idade adulta em que por diversos motivos há menos oportunidades de espontâneamente criar amizades.
Por outro lado, a solidão gera solidão e quanto mais sozinhos nos sentimos, mais sozinhos procuramos ficar.
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Na vida adulta, a existência de uma relação amorosa satisfatória e eventualmente a formação de uma família para além da de origem, é também um factor muito importante no que toca à solidão. O ser humano geralmente necessita de estabelecer este género de vínculos para amar e sentir-se amado de uma forma mais profunda, presente e permanente, assim como de criar um sentido de continuidade através de filhos. No entanto, isto são traços gerais, pois há obviamente muitas pessoas que encontram felicidade em formatos menos tradicionais.
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No idoso, a solidão pode ser completamente devastadora, na medida em que é uma fase da vida em que não se procura tanto estabelecer novos contactos, mas sim viver com satisfação as amizades e relações feitas ao longo de uma vida. Infelizmente não são apenas os idosos que não têm família que sofrem de um total isolamento, pois verifica-se que esta faixa etária tem vindo a ser menos respeitada dentro do próprio núcleo familiar. Há uma espécie de consenso entre várias pessoas de que não podemos travar as nossas vidas por causa dos idosos e isto consegue ser mais doloroso do que não ter familaires. Uma velhice sem lugar, sem amor e afecto levará inevitavelmente a uma pobre qualidade de vida e à incidência da depressão.
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As mudanças sociais revelam, no entanto, que independentemente da idade a solidão tem-se vindo a acentuar cada vez mais e que a modernidade nos permite ter amis contactos, mas também vivê-los de forma muito mais superficial.
Os divórcios, as mudanças constantes de escolas e de locais de trabalho e um menor sentido de comunidade decorrente principalmente das grandes cidades, são factores que contribuem para o isolamento e consequentemente para a solidão. Se por um lado estamos mais orientados para a procura de satisfação pessoal, e daí termos vidas com mudanças constantes e supostamente para melhor, por outro lado apercebemo-nos de que essa procura pode trazer ao mesmo tempo menos disponibilidade para criar e manter relações.
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É-nos também transmitida a ideia errada de que um elevado número de experiências diferentes é sinónimo de felicidade, o que pode levar à ansiedade de saltar rapidamente de uma vivência para outra sem retirar o que cada uma delas nos pode verdadeiramente dar. Isto significa que na globalização em que vivemos precisamos de adquirir um filtro que nos ajude a detectar o essencial do acessório, ou seja, a depender mais das necessidades internas do que de exigências sociais externas. Se o fizermos, é bem provável que a nossa agenda esteja menos cheia mas que também nos possamos sentir menos sozinhos.
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Quando a pessoa sente que está permanentemente com um sentimento de solidão, é aconselhável procurar a ajuda de um profissional. A compreensão do que originou esse problema é por si só um motor para a redução desse sentimento e as perspectivas do que poderá ser mudado o outro grande passo para que a situação se resolva.

Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Descontos, Parcerias e ADSE

O Consultório do Chiado em Lisboa, proporciona em consultas de Psicologia Clínica diversos descontos e promove parcerias com diferentes empresas e instituições.
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- Estudantes
- Desempregados
- Séniores
- Sócios dos Serviços Sociais da PSP
- Sócios da AMI
- Sócias da Associação Projecto Artémis
- Sócias do VIVA FIT
- Sócios da ASPL (Associação Sindical de Professores Licenciados)
- Sócios do SNPL (Sindicato Nacional de Professores Licenciados)
- Se tiver direito a ADSE, deverá pedir junto do seu médico uma declaração da
necessidade de acompanhamento e receberá posteriormente uma comporticipação por
consulta.
.- Para beneficiários de ADM, poderá igualmente receber uma comparticipação por
consulta, desde que apresente o respectivo recibo junto dos serviços militares.

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Bullying


A expressão Bullying é de origem Inglesa, não tendo tradução directa para Português, mas basicamente serve para descrever actos de violência física e/ou psicológica que são feitos com a intencionalidade de agredir, humilhar e maltratar alguém que não se consiga defender.
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O Bullying pode ocorrer em diversos contextos, como por exemplo entre adultos no local de trabalho, não sendo exclusivo de crianças e adolescentes. No entanto, tem sido no espaço escolar que este fenómeno tem gerado maior preocupação, pela frequência com que acontece e porque na realidade as crianças de hoje serão os adultos de amanhã.
Também não consiste apenas em agressões fisicas,como habitualmente ouvimos falar. Pode passar por insultar, estragar o material de um colega, perseguir uma pessoa, fazer comentários racistas e descriminatórios, gerar boatos ofensivos, etc.
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As consequências de maus-tratos sucessivos, persistentes e continuados, podem ser muito nefastas no desenvolvimento psicológico e emocional tanto da vítima como do agressor. Uma infância ou adolescência marcada pela violência, traz inevitavelmente marcas que acabarão por se manifestar não só no presente, mas também no futuro.
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Muitas vezes, a vítima de Bullying receia represálias se contar o que se está a passar e acaba por perpetuar um ciclo que poderia ser travado se os pais, professores ou técnicos especializados tivessem conhecimento. Se sabemos que essa é uma realidade, convém estarmos atentos a alguns sinais que a criança possa manifestar, nomeadamente alterações no seu comportamento.
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Em relação ao agressor, a preocupação não é menor, pois se uma criança ou jovem sente necessidade de exercer poder sobre outra, ao ponto de a perseguir e violentar, significa que algo no seu desenvolvimento não está a decorrer normalmente. Aliás, vários estudos apontam que uma criança violenta tem muitas probabilidades de se tornar um adulto violento, sendo que em alguns casos pode até entrar num processo de delinquência e criminalidade.
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Com a era nas novas tecnologias, o Bullying já não se limita às escolas, mas por extensão destas mantem-se noutros contextos, nomeadamente através da internet. É o chamado Cyberbullying, em que a pessoa continua a ser "enxovalhada" através das redes sociais como o Myspace, Facebook, Hi5, entre outros. Sabemos que hoje em dia, estas redes são um elemento importante na socialização e contacto entre jovens, pelo que acabam também por ser uma fonte previligiada da continuaçao dos problemas existentes entre os alunos nas escolas ou entre colegas e amigos fora destas.
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A prevenção e o acompanhamento de casos instalados são prioritários e podem evitar que se desenvolvam sentimentos e comportamentos alterados não só na infância e adolescência, como na idade adulta. Quase sempre a vítima tem dificuldades em se proteger e necessita de adquirir mecanismos psicológicos de defesa.
São vários os adultos que hoje recorrem a um psicólogo, pelas dificuldades de auto-estima, auto-confiança e de relacionamento com os outros, provocadas por um passado marcado por episódios traumáticos.

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Acompanhamento Psicoterapêutico

Este tipo de acompanhamento permite um processo de crescimento e desenvolvimento pessoal privilegiado, no sentido em que a pessoa procura obter junto do terapeuta mudanças internas positivas e significativas, que lhe ofereçam uma maior qualidade de vida e felicidade.
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No entanto, estas mudanças podem demorar algum tempo a ser alcançadas, pois ao longo da nossa vida adquirimos padrões de funcionamento e mecanismos de defesa que frequentemente se revelam disfuncionais, mas que mesmo assim são aqueles que aprendemos e conhecemos. Apesar desses padrões nos poderem provocarem sofrimento e mal-estar, estão muitas vezes enraizados e necessitam de uma alteração ao nível da personalidade. Isto implica trabalhar crenças, pensamentos, sentimentos e acções, que apenas podem ser conduzidos num espaço de compreensão, empatia, exploração e partilha.
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Por estes motivos, num processo psicoterapêutico deste género, a regularidade das sessões e comprometimento pessoal são pontos-chave no sucesso da terapia e consequentemente no bem-estar da pessoa.